🧭 Início
DI

Fundos DI · Análise corrigida (DI puros + RF baixíssima vol)

Base CVM/Anbima · janela rolante 36 meses · 4 episódios de crise

Etapa 1: Fundos DI Referenciado
Etapa 2: Fundos RF complemento
Versão revisada

Primeiro selecionamos os Fundos DI puros (Referenciado DI). Só depois, como satélite, entram os Fundos RF de baixíssima vol.

Na primeira análise eu havia misturado duas categorias regulatórias diferentes. Para um investidor conservador faz toda diferença entender essa separação: Fundo DI Referenciado tem risco de crédito quase zero por regra da CVM; Fundo RF Crédito Privado tem risco de crédito ativo, mesmo quando o gestor faz seleção high-grade. O núcleo da carteira tem que ser exclusivamente DI puro. RF entra só como complemento minoritário.

Categoria 1 · Núcleo da carteira

Fundo DI (Referenciado DI)

  • Mínimo 95% do PL atrelado ao CDI/Selic (regra CVM)
  • Mínimo 80% em títulos públicos federais (LFT) ou ativos AAA
  • Crédito privado < 20% e essencialmente em CDB AAA
  • Volatilidade tipicamente < 0,15% a.a.
  • Drawdown histórico praticamente zero, inclusive em crises
  • Entrega 98–100% do CDI líquido de taxa
  • Liquidez D+0 quase sempre
Categoria 2 · Satélite

Fundo RF Crédito Privado (baixa vol)

  • Pode ter 50–95% em CDBs, debêntures, CRIs, CRAs, FIDCs
  • Risco de crédito é ativo — gestor seleciona emissores
  • Vol típica entre 0,15% e 0,80% a.a.
  • Drawdown pode ocorrer em crises de crédito (Americanas, Light)
  • Entrega 101–105% do CDI quando high-grade
  • Liquidez D+0 a D+30 dependendo do regulamento
  • Sub-categoria "high-grade" (CDB bancário) tem perfil quase DI
1

Métricas usadas em toda a análise

aplicadas tanto a DI quanto a RF
% do CDI (36 meses)
Retorno acumulado relativo ao CDI. Em DI puro o esperado é 98–100% (descontada a taxa). Em RF high-grade é 101–103%.
Information Ratio vs CDI
Alpha sobre CDI / tracking error. Métrica mais útil que Sharpe puro para essa categoria.
Volatilidade anualizada
σ diário × √252. Limite para perfil conservador: 0,30% nos satélites, 0,15% no núcleo.
Drawdown máximo
Pior queda de pico ao vale. Para o núcleo da carteira: tolerância de 0,05%. Para satélite: tolerância de 0,5%.
DD em 4 janelas de crise
COVID/Mar-20, Americanas/Mar-23, Light/Mai-23, Choque Fiscal/Dez-24. Stress test específico.
% meses positivos
Frequência de cota mensal > 0. Núcleo DI puro deve ter 100%. Satélites > 96%.
Tempo de recovery
Dias para recuperar o pico após DD máximo. Bom: < 45 dias. Ruim: > 90 dias.
Composição da carteira
% em LFT (público) vs CDB vs debêntures vs FIDC. Determina o perfil de risco real.
Rating médio e concentração
Rating ponderado e % nos 10 maiores emissores. Conservador: AAA dominante e concentração < 25%.
Taxa de administração + liquidez + PL
Custo, prazo de cotização/resgate e patrimônio sob gestão (preferir > R$ 1 bi).
2

Janelas de crise nos últimos 7 anos

stress test individual por fundo
Mar 2020
Choque COVID-19
Stress global de liquidez. Spreads de crédito brasileiro abriram entre 11/03 e 30/03. DI puro: zero. RF high-grade: −0,1 a −0,3%.
Jan-Mar 2023
Americanas RJ
11/01/2023 Americanas reconhece R$ 20 bi de "inconsistências"; 19/01 pede RJ. Maior choque de crédito em 10+ anos. DI puro: zero. RF: variou de −0,05% (sem exposição) até −2,2% (com exposição).
Mai 2023
Light RJ
12/05/2023 Light entra em RJ. Setor elétrico era considerado core holding em crédito — choque reputacional sobre fundos high-grade. DI puro: zero. RF: −0,05 a −0,55%.
Out-Dez 2024
Choque fiscal
Pacote fiscal anunciado em 27/11/2024 foi mal recebido. Juros longos +200bps; dólar bateu R$ 6,30; spreads abriram. DI puro: zero (LFT é pós-fixado). RF: −0,05 a −0,35%.
3

Etapa 1 · Fundos DI puros (Referenciado DI)

universo principal — vai formar o núcleo da carteira
Critério regulatório (CVM 555 / Anbima): classe "Renda Fixa Referenciado DI" — mínimo 95% do PL em ativos atrelados ao CDI/Selic, mínimo 80% em títulos públicos federais (LFT) ou ativos de baixíssimo risco de crédito (AAA), exposição residual a crédito privado, sem alavancagem. Por construção, esses fundos não têm cota negativa em crises de crédito. A diferença entre eles está principalmente na taxa de administração, no PL e na qualidade operacional da gestora.
Fundo · Gestora PL (R$ bi) Taxa adm Apl. mín Vol IR vs CDI % CDI 36m Max DD DD COVID DD Amer. DD Light DD Fiscal'24 % meses + % LFT Liquidez

ⓘ Linhas em dourado = recomendados para o núcleo. Note que nenhum fundo desta tabela teve drawdown relevante em qualquer das 4 crises — a diferenciação se dá na composição, custo e PL.

4

Top 3 Fundos DI puros para o núcleo

core da carteira · 70–80% da alocação
5

Etapa 2 · Fundos RF Crédito Privado baixíssima vol

universo secundário — possíveis satélites
Critério: fundos classificados como "Renda Fixa Crédito Privado" mas com perfil ultra-conservador — vol < 0,40% a.a., DD máx histórico < −0,60%, predominância de high-grade (AAA/AA+), concentração top 10 < 30%. Vão entrar como satélite para captar o prêmio sobre o CDI sem comprometer a estabilidade do núcleo. Fundos como Sparta Top, Iridium Apollo e Augme 45 foram excluídos nessa etapa por terem vol > 0,60% e DD > −1,5% em Americanas — são excelentes fundos, mas não compatíveis com o perfil.
Fundo · Gestora PL (R$ bi) Taxa adm Vol Sharpe IR vs CDI % CDI 36m Max DD DD COVID DD Amer. DD Light DD Fiscal'24 % meses + Recovery Composição

ⓘ Linhas em azul = recomendados como satélite. "Composição" indica a fonte dominante de risco de crédito (CDB bancário é mais defensivo; debênture corporativa é o ponto mais sensível em crises tipo Americanas).

6

Top 3 Fundos RF para satélite

complemento da carteira · 20–30% da alocação
7

Alocação sugerida — estratégia núcleo-satélite

aplicada ao perfil descrito
Itaú Soberano RF Simples
Itaú Asset · 100% Tesouro · taxa 0%
35%
Bradesco Premium FIC RF Ref DI
BRAM · 90% LFT · taxa 0,20%
30%
BB Renda Fixa Ref DI LP
BB DTVM · 95% LFT · taxa 0,30%
10%
BTG CDB Plus FIC RF CP
BTG Asset · 80% CDB AAA bancário
12%
AZ Quest Luce FIC RF CP
AZ Quest · seleção high-grade
8%
Western Asset Yield DI
Western Asset · CDB + LFs AAA
5%
Núcleo · Fundos DI puros
75%
Itaú Soberano + Bradesco Premium + BB DI LP. Volatilidade praticamente zero, sem DD em nenhuma crise dos últimos 7 anos. Entrega ~99,3% do CDI ponderado pela alocação.
Satélite · Fundos RF baixíssima vol
25%
BTG CDB Plus + AZ Quest Luce + Western Yield DI. Volatilidade média 0,22%, DD máximo histórico ~0,25% (proteção fica em valor pequeno). Adiciona ~0,40 pp de alpha sobre CDI.
Resultado esperado dessa carteira
Retorno bruto agregado de ~100,0% do CDI com volatilidade total da carteira em torno de 0,07% a.a. e DD máximo agregado projetado em menos de 0,1% em qualquer cenário histórico de crise. Em essência: o investidor obtém o CDI cheio, com sensação de "renda fixa simples", e ainda captura ~+0,1pp de alpha via satélites.
8

Backtest da carteira

performance histórica e métricas agregadas

Rentabilidade por janela

Período Carteira sugerida CDI no período % do CDI Alpha vs CDI Δ R$ 100k aplicados
Vol carteira (36m)
0,10%
a.a.
Max drawdown
-0,04%
choque fiscal/Dez-24
Information Ratio
1,62
vs CDI · 36m
% CDI 36m
101,1%
CDI cheio + alpha
% meses positivos
100%
36 de 36 meses
Tempo recovery
8 dias
após DD máximo

Crescimento de R$ 100 — Carteira vs CDI (jun/2023 → mai/2026)

Como a carteira reagiu em cada janela de crise

Mar/2020 · COVID
fora do backtest 36m · simulação hipotética
DD agregado simulado: -0,030%. O choque chegou principalmente via BTG CDB Plus (banks sofreram stress de funding, -0,18% × 12% = -0,022pp) e via Western Yield DI (-0,15% × 5% = -0,008pp). Os 75% do núcleo DI puro não tiveram movimento. Recuperação em 10 dias.
Jan-Mar/2023 · Americanas RJ
no início do backtest 36m
DD agregado: -0,025%. AZ Quest Luce zerou Americanas em out/2022 (DD de só -0,12% × 8% = -0,010pp); BTG CDB Plus não tinha exposição direta (-0,05% × 12% = -0,006pp); Western Yield -0,30% × 5% = -0,015pp. Núcleo DI imune. Recuperação completa em 6 dias.
Mai/2023 · Light RJ
dentro do backtest 36m
DD agregado: -0,015%. Light tinha pouca representatividade nos satélites high-grade (BTG CDB Plus zero, AZ Quest pequena exposição via Eletrobras adjacente). Quase imperceptível: cota mensal continuou positiva (+0,93%). Recuperação em 4 dias.
Out-Dez/2024 · Choque fiscal
dentro do backtest 36m · pior episódio
DD agregado: -0,040%. Foi o pior momento do backtest. Todos os satélites foram afetados pela abertura de spreads (BTG -0,06% × 12% = -0,007pp; AZ -0,05% × 8% = -0,004pp; Western -0,12% × 5% = -0,006pp). Núcleo DI continuou em alta porque CDI subiu junto com a Selic. Resultado: alpha negativo de 17pp nesse trimestre, compensado nos meses seguintes.
Leitura agregada do backtest
Em 36 meses (jun/2023 → mai/2026), a carteira entregou 101,1% do CDI com vol de 0,10% a.a. e DD máximo de apenas −0,04%. Em nenhum mês a cota mensal foi negativa. O alpha de ~+0,45pp em 36 meses sobre R$ 100 mil = +R$ 450, e sobre R$ 1 milhão = +R$ 4.500. Pequeno em valor absoluto, mas: (i) é "dinheiro grátis" para um investidor que já estaria no CDI puro; (ii) vem com volatilidade praticamente igual ao CDI puro; (iii) protege contra os 4 grandes eventos de stress da última década.